Você realmente sabe o que é dengue? Parte I

Conceito

Dengue é uma doença infecciosa aguda e possui 4 sorotipos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). 

O sorotipo é uma maneira de caracterizar diferentes tipos de um vírus, usando a sorologia. A SOROLOGIA é o estudo dos soros sanguíneos. Na prática, o termo se refere ao diagnóstico e identificação de anticorpos e ou antígenos no soro sanguíneo.

Estes anticorpos, que são bastante específicos, podem ser formados contra um microrganismo, contra proteínas estranhas ou contra uma proteína do próprio organismo (doença autoimune).

YellowFeverVirus.jpg
Família: Flaviviridae
Gênero: Flavivirus
É transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti infectado (Nem todo mosquito Aedes aegypti transmite dengue, e sim somento os contaminados pelo vírus do gênero Flavivirus.) Ocorre principalmente em áreas tropicais e subtropicais do mundo, inclusive no Brasil.

 As epidemias geralmente ocorrem no verão, durante ou imediatamente após períodos chuvosos.
O quadro clínico é amplo, apresentando desde uma síndrome febril inespecífica até quadros graves como hemorragia, choque e às vezes óbito.

É uma doença de notificação compulsória e sua forma grave é de notificação IMEDIATA.
A forma clínica clássica é conhecida como dengue clássica ou febre da dengue e a forma grave, febre hemorrágica da dengue.

Dengue clássica:

  • Febre alta com duração de 2 a 7 dias
  • Dor de cabeça
  • Dor no corpo e nas juntas
  • Dor atrás dos olhos
  • Manchas vermelhas pelo corpo
Para quem tem diagnóstico de dengue, deve ficar atento ao surgimento dos sintomas abaixo.

Procure imediatamente um médico em qualquer uma das situações abaixo:

  • Dores na barriga fortes e contínuas
  • Vômitos persistentes
  • Sangramento pelo nariz, boca e gengivas
  • Sede excessiva e boca seca

Floresta de Pérolas

Durante três anos a bióloga Ales­sandra Nasser Caiafa atra­­vessou o país algumas vezes para mapear a diversidade de árvores da Mata Atlântica, a vegetação densa e viçosa que já ocupou quase toda a costa brasileira e abriga muitas espécies de plantas e animais encontradas somente ali, várias ameaçadas de extinção. Na jornada ela não precisou de botas nem facão: analisou 225 documentos científicos (livros, teses e artigos) guardados nas 28 instituições de pesquisa que visitou entre 2004 e 2007. Caminhando pela mata, Alessandra só conseguiria cobrir nesse tempo uma parte pequena da vasta área já percorrida por outros pesquisadores.
Nessa leitura, a bióloga mineira, atualmente professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), confirmou as razões por que a Mata Atlântica é considerada um dos ecossistemas mais ricos do mundo em diversidade de espécies. No trecho que vai do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul há 846 espécies de árvores, do franzino cambucá-peixoto (Plinia rivularis), que não passa de quatro metros de altura e produz frutos avermelhados semelhantes à jabuticaba, ao portentoso jequitibá-branco (Cariniana estrellensis), o gigante da floresta em tupi-guarani, que pode atingir 60 metros de altura.
A surpresa maior, porém, veio quando Alessandra analisou como essas espécies se distribuem nessa faixa que se estende por quase 2.900 quilômetros no sentido Norte-Sul e cerca de 100 quilômetros continente adentro. Apesar da variedade, a maior parte das espécies (59%) são árvores raras, encontradas em áreas restritas ou num ambiente específico da floresta. Uma proporção considerável, 11% das espécies, ou quase uma em cada 10, são raríssimas: têm pouquíssimos exemplares, concentrados em algum ponto do litoral, e por isso correm maior risco de desaparecer.
“Essas informações estimulam esforços de investigação semelhantes, já que no Nordeste, por exemplo, é grande a carência de dados sobre a diversidade de árvores da Mata Atlântica”, afirma Alessandra. “O trabalho aplicou um sistema de avaliação reconhecido internacionalmente”, explica o botânico Fernando Roberto Martins, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que orientou Alessandra no doutorado e é coautor do artigo publicado este ano na Biodiversity and Conservation. “Quantificamos e qualificamos o grau de raridade das árvores da Mata Atlântica. Temos agora uma fotografia mais fiel de como essas espécies se distribuem”, completa.
Raras e raríssimas - No trabalho Alessandra e Martins usaram uma escala de classificação que determina o grau de raridade de uma espécie a partir de três critérios: afinidade por um ambiente específico, abundância local e distribuição pela área estudada.
Combinados, esses três fatores definem uma escala de oito níveis: um de espécies comuns e outros sete de graus crescentes de raridade. No primeiro nível de raridade estão as árvores encontradas em diferentes altitudes e com níveis variados de umidade, grande distribuição geográfica e pequena abundância local em certos trechos (4,5% das 846 espécies). Já a categoria 7, a das raríssimas, incluiu 11% das árvores: todas com baixíssima capacidade de adaptar-se a outros ambientes, encontradas em populações pequenas e distribuídas por uma área bastante restrita.
Os pesquisadores encontraram espécies raras ao longo de toda a área estudada. Segundo Martins, fatores históricos, geográficos e biológicos explicam esse padrão. No clima seco que caracteriza os períodos de glaciação – o mais recente entre 18 mil e 14 mil anos atrás – só sobreviveram grandes árvores em áreas mais úmidas, como os vales e as encostas próximas ao mar, como sugere a teoria dos refúgios, proposta nos anos 1960 pelo alemão Jürgen Haffer, adaptada à realidade brasileira pelo geógrafo Aziz Ab’Saber e contestada recentemente.
“Foram vários eventos sucessivos de restrição e espalhamento que moldaram o padrão de distribuição das espécies pela Mata Atlântica do litoral Sul e Sudeste”, explica Martins. Atualmente, diz, esse padrão sofre influência direta da ação humana e da destruição da floresta.
Não por acaso, muitas das árvores raríssimas estão na lista de espécies ameaçadas de extinção elaborada pela Fundação Biodiversitas em 2005. O que preocupa os pesquisadores é que o desaparecimento das mais raras pode gerar um efeito dominó, afetando a disponibilidade de alimento para vários grupos de animais. “A extinção de uma única espécie rompe o nó de uma rede de interações, levando ao desaparecimento de várias outras”, explica Martins. Outras possíveis consequências são o empobrecimento do solo e o aumento dos níveis de gás carbônico no ar.
Alessandra considera problemático o avanço das fronteiras agrícolas e o crescimento das cidades em áreas de Mata Atlântica e ressalta: “É preciso sensibilizar autoridades públicas e proprietários de terra para a importância dessas espécies raras”. Um modo de proteção possível, sugere, é criar unidades de conservação menores em áreas com mais espécies bem raras.
> Artigo científico
CAIAFA, A.N.; MARTINS, F.R. Forms of rarity of tree species in the southern Brazilian Atlantic rainforest. Biodiversity and Conservation. v. 19, p. 2.597-618. 19 mai. 2010.]

Fonte: FAPESP

Epidemia em expressão - DENGUE

A epidemia de dengue no Brasil registrou crescimento de quase 160%, de julho de
2009 ao mesmo mês de 2010. Na metade deste ano, o número de casos notificados às autoridades sanitárias chegou perto de um milhão. A maior parte das notificações foi registrada nas regiões do Centro e do Sudeste do país, mas a presença da doença é observada em todas as regiões brasileiras. Neste ano, ainda, o número de casos graves da doença cresceu 30%. Até julho último, 9.700 indivíduos haviam apresentado as formas mais severas da dengue, como febre hemorrágica, síndrome do choque e quadros com complicações. O número de óbitos relacionados à dengue no país, em meados de 2010, de quase 4% dos casos graves, também chama a atenção por ser quatro vezes superior ao que é considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS). "Essa porcentagem de óbitos por dengue indica que está havendo alguma falha, seja no alerta ao paciente sobre a doença, na agilidade da procura pelo atendimento ou no próprio atendimento", afirma o infectologista Stefan Cunha Ujvari, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Um levantamento do Ministério da Saúde nos registros de pacientes que morreram de
dengue em 2010, divulgado em setembro último, mostrou falha no atendimento de 69% dos casos, a maioria dos quais em municípios com baixa cobertura do Programa Saúde da Família. "A população precisa entender que a dengue é uma doença dinâmica: pode começar na forma clássica, mas rapidamente evoluir para a forma hemorrágica, com risco de choque." Por isso, o infectologista destaca, é importante dar atenção aos sinais de alerta, que podem incluir hipotensão, tonturas, desmaios, diminuição da urina, falta de ar e dor abdominal. Tais sintomas indicam a necessidade imediata de uma avaliação médica, pois podem sinalizar perda de líquido em decorrência das lesões nos vasos sanguíneos, típicas da forma hemorrágica da doença.

Dengue tipo 4

Dentro desse cenário, a epidemia de dengue ganhou contornos mais preocupantes em agosto de 2010, quando foram confi rmados ofi cialmente os primeiros casos do sorotipo 4 (DEN-4) em Boa Vista, Roraima. Na ocasião, o Ministério da Saúde divulgou nota afi rmando que o DEN-4 não circula no Brasil há 28 anos, informação que suscita discordância de parte da comunidade científi ca. Em abril de 2008, um estudo produzido pela Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, publicado na revista Emerging Infectious Diseases, relatava extraoficialmente a existência de três casos de infectados pelo sorotipo no Estado do Amazonas naquele ano. Sabe-se, há muito tempo, que a dengue tipo 4 é endêmica em países vizinhos, como Colômbia e Venezuela. "A população brasileira não tem imunidade para esse sorotipo do vírus", diz Giovanni Coelho, coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde. "Por conta disso, o risco de haver circulação mais intensa da dengue tipo 4 nos centros urbanos é muito grande." Como o risco de desenvolver dengue hemorrágica é maior no caso de uma segunda infecção provocada por um sorotipo diferente do primeiro, especialistas e autoridades temem que a reintrodução do sorotipo 4 aumente a incidência das formas mais graves da doença, uma vez que é maior a possibilidade de circulação rápida do tipo 4.

A confi rmação da presença do sorotipo 4 da dengue no Brasil levou o Ministério da Saúde a incluir os casos suspeitos de DEN-4 na lista de doenças de notificação compulsória e a emitir um alerta a todas as Secretarias Estaduais de Saúde recomendando a adoção de medidas mais intensas com objetivo de controlar a dispersão do vírus. Essas medidas incluem mais informação à população, reforço das
ações de vigilância epidemiológica e distribuição de larvicidas e inseticidas, para o combate da larva e do mosquito adulto.

Mosquito adaptado

O combate ao Aedes aegypti, principal vetor da dengue e, também, da febre amarela é a forma realmente eficaz de controle dessas doenças, segundo os especialistas. "Desde o começo desta década ninguém mais fala em eliminar o mosquito", diz Ujvari. "Hoje a meta é manter as infestações urbanas no menor nível possível para que haja um número menor de infecções." Desde o início do século 20, quando se descobriu que o Aedes aegypti era responsável pela transmissão da febre amarela (ver quadro Subproduto da escravidão, à página 21), foram empreendidas sucessivas campanhas no Brasil, voltadas à sua erradicação ou ao seu controle, mas em décadas mais recentes houve negligência nesse combate. Além do relaxamento nas medidas de controle do vetor, outros fatores contribuíram para a expansão da dengue no Brasil ao longo dos últimos 50 anos. Um deles foi o processo de industrialização e urbanização que o país viveu durante o século passado. "Nossas cidades se desenvolveram de forma completamente desorganizada,
caótica e lotada de lixo industrial", aponta Ujvari. O resultado é um ambiente propício
à reprodução do mosquito, com a ampla disponibilidade de coleções para acúmulo de água, tais como recipientes de plástico, latas, pneus e caixas
d'água descobertas. Um mapeamento realizado pelo geógrafo Paulo Roberto Moraes, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), mostra que em muitas regiões ao redor do mundo esse quadro de degradação ambiental, somado a  baixos níveis de desenvolvimento socioeconômico, se traduz, nos diferentes países, em maior risco de emergência e reemergência de epidemias (ver quadro Tristes trópicos, à página 24).

A capacidade de adaptação do Aedes aegypti ao meio urbano é outro facilitador de sua expansão nas cidades. "Nas coleções de plásticos e latas do lixo urbanoindustrial, a água pode até secar, mas os ovos depositados pela fêmea do mosquito que já se adaptou ficam ressecados ali por meses, viáveis, aguardando o momento em que haja água novamente para se ativar", explica Ujvari. O ciclo do mosquito também se tornou mais ágil e cumpre-se hoje em apenas dez dias, depois dos quais o inseto já está pronto para se acasalar. E, embora as fêmeas do mosquito tenham uma pequena capacidade de voo, os espécimes urbanos podem voar mais de um quilômetro em busca de um local adequado à postura dos ovos.

Globalização e clima

Assim como fez no passado, o Aedes aegypti continua viajando longas distâncias em barcos e agora, alternativamente, também em aviões. É o que indica o regresso do vetor a regiões em que se encontrava erradicado há décadas, como nos Estados Unidos e na Europa. Em julho de 2010, o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC - do inglês Centers for Disease Control and Prevention), órgão de vigilância epidemiológica dos Estados Unidos, confi rmou a existência de 12 casos de dengue na Flórida. Segundo o CDC, exames laboratoriais realizados na região mostraram que 5% dos habitantes de Key West - cerca de mil pessoas - já haviam tido contato com o vírus da dengue.Mais recentemente foi a vez de o alarme soar na Holanda. Em agosto de 2010, foi localizada uma colônia de Aedes aegypti num depósito de pneus na região de Brabant. A descoberta despertou o temor das autoridades sanitárias europeias de que as chamadas "doenças tropicais", erradicadas há mais de 50 anos no continente, voltem a atingi-lo.
Mudanças climáticas no planeta também são apontadas como possíveis causas da expansão das doenças infecciosas. Em abril de 2008, a OMS já alertava para os perigos do aquecimento global à saúde humana, enquanto a sanitarista Maria Lúcia Carneiro, representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), afi rmava que o aumento da temperatura e da umidade no Brasil favorecia a proliferação do Aedes aegypti em áreas urbanas.

"Na verdade, não existe uma comprovação de que o aquecimento das temperaturas
esteja acontecendo de forma generalizada no planeta. O fenômeno está de fato acontecendo
em alguns pontos, mas não em todos os lugares, de maneira uniforme", diz o climatologista José Bueno Conti, professor titular de Geografi a da Faculdade de Filosofi a, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP). Mas ele acrescenta, "especula-se que nos últimos 25 anos o aquecimento das temperaturas médias em vários lugares do mundo venha contribuindo para a expansão das faixas tropicais e, também, para um aumento dos vetores responsáveis pela transmissão de doenças que afetam as regiões de clima quente e úmido".

Fontes
Centers for Diseases Control and Prevention, EUA. Locally
Acquired Dengue - Key West, Florida, 2009 -
2010. Disponível em: http://www.cdc.gov
 
Acessado em:
3 Set 2010.
Figueiredo RMP, Naveca FG, Bastos MS, et al. Dengue
Virus Type 4, Manaus, Brazil. Emerging Infectious
Diseases. 2008;14(4):667-9.
Ministério da Saúde, Brasil. Dengue - Roteiro para capacitação
de profi ssionais médicos no diagnóstico e
tratamento. 3ª Edição. Brasília/DF: 2007.
Ministério da Saúde, Brasil. Secretaria de Vigilância em
Saúde. Informe Epidemiológico de Dengue. Análise
de Situação e Tendências - 2010. Disponível em:
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/informe
_
Acessado
em: 3 Set 2010.
Moraes PR. As áreas tropicais úmidas e as febres hemorrágicas
virais - uma abordagem geográfi ca. São Paulo:
Humanitas; 2008.
Mourão MPG, Bastos MS, JBL Gimaque, et al. Oropouche
Fever Outbreak, Manaus, Brazil, 2007-2008.
Emerging Infectious Diseases. 2009;15(12):2063-4..

Bactérias viram minifábricas de vacinas e biocombustíveis

Bactérias viram minifábricas de vacinas e biocombustíveis


A equipe do professor Warren está atualmente desenvolvendo formas de produzir novos antibióticos dentro destes compartimentos. [Imagem: Parsons et al.]




Cientistas das universidades de Kent e da College Cork, no Reino Unido, usaram a engenharia genética para forçar bactérias simples a criaram compartimentos internos que as tornam capazes de produzir virtualmente qualquer composto químico que se deseje, de biocombustíveis a vacinas.

Os microcompartimentos chegam a ocupar quase 70 por cento do espaço disponível em uma célula de bactéria, possibilitando a segregação das atividades metabólicas - potencialmente, o organismo torna-se especializado em produzir um determinado composto.

Biologia sintética do bem

Esta é a chamada biologia sintética que, se de um lado, é altamente promissora, de outro tem levantado sérias preocupações sobre o que o homem pode fazer manipulando a vida em tal intensidade. Tanto que a maioria dos cientistas da área já se apressa em se enquadrar em uma pretensa categoria de "biologia sintética do bem".

"A biologia sintética é realmente excitante porque nós podemos produzir alguns produtos importantes e úteis que podem ser difíceis e caros demais para se fabricar usando as técnicas tradicionais da química," afirma o professor Martin Warren, coordenador da pesquisa.

"As bactérias podem produzir essas coisas com muita facilidade e em grandes quantidades se desenvolvermos bactérias com as características certas para fazer tudo de forma eficiente.

"O que nós frequentemente fazemos é nos certificarmos de que o produto desejado seja feito dentro de um ou mais compartimentos minúsculos que já existem no interior das bactérias. Isso significa que o processo não será interrompido ou retardado pelo que está acontecendo [normalmente] na célula, e assim o processo é muito mais eficiente," explica o cientista.

Biofábricas

Já os microcompartimentos nas bactérias geneticamente modificadas poderão ser projetados para a síntese do etanol ou até do hidrogênio, o que poderia reduzir a necessidade de muitos produtos derivados do petróleo, incluindo certos medicamentos.

A equipe do professor Warren está atualmente desenvolvendo formas de produzir novos antibióticos dentro destes compartimentos.

"Usando esses compartimentos, as bactérias E.coli podem criar produtos químicos que normalmente seriam letais para elas. As bactérias são parcialmente protegidas porque os produtos químicos estão sendo feitos no interior de compartimentos dentro de suas células. 

Estamos trabalhando em maneiras de usar essas 'fábricas' para produzir substâncias que irão matar outras bactérias nocivas," diz Michael Prentice, coautor da pesquisa.

Bibliografia:

Synthesis of Empty Bacterial Microcompartments, Directed Organelle Protein Incorporation, and Evidence of Filament-Associated Organelle Movement

Joshua B. Parsons, Stefanie Frank, David Bhella, Mingzhi Liang, Michael B. Prentice, Daniel P. Mulvihill, Martin J. Warren
Molecular Cell
Vol.: 38, Issue 2, Pages 305-315
DOI: 10.1016/j.molcel.2010.04.008


Biologia sintética promete sistemas artificiais inspirados na natureza para ajudar o homem

Biologia sintética promete sistemas artificiais inspirados na 
natureza

Em um exemplo de desenvolvimento da biologia sintética, estudantes usaram bactérias geneticamente modificadas para tirar fotografias de alta resolução.[Imagem: UCSF]
Construir sistemas artificiais inspirados em processos da natureza: este é o objetivo da biologia sintética. Apesar de ser uma área fundamental para o avanço da produção de bioenergia, as pesquisas visando o biomimetismo ainda estão dando seus primeiros passos no Brasil.
Biologia sintética promete sistemas artificiais inspirados na 
natureza
A produção de biodiesel a partir de algas marinhas já é um processo dominado comercialmente. [Imagem: Solazyme Inc.]
Por esse motivo, o assunto foi tema de um evento internacional realizado em São Paulo, chamado BIOEN Workshop on Synthetic Biology. BIOEN é um programa sobre pesquisas em bioenergia mantido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Sistemas artificiais

"Queremos elevar a pesquisa brasileira sobre bioenergia a um novo patamar e, para isso, é importante investir na biologia sintética, área ainda carente de especialistas no Brasil", disse Glaucia Mendes de Souza, professora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo ela, trata-se de um grande desafio, uma vez que a biologia sintética envolve a convergência de diferentes áreas do conhecimento, como genética, biotecnologia, nanotecnologia, matemática, engenharia metabólica e computação.

A multidisciplinaridade está relacionada com a complexidade dos organismos nos quais esta ciência se inspira para desenvolver os sistemas artificiais.

"É preciso entender a biologia sistêmica, que procura decifrar os organismos em sua totalidade, modelando as inter-relações dinâmicas entre as partes funcionais como genes, RNAs, proteínas, metabólitos, redes regulatórias, percepção do ambiente, entre outros", explicou Glaucia.

"Queremos colocar a ciência brasileira ao lado da produção internacional nesse assunto", disse a professora do Instituto de Biociências da USP Marie-Anne Van Sluys.

Combustível de algas

Ben Hankamer, da Universidade de Brisbane, na Austrália, falou sobre os desafios econômicos e técnicos na produção mundial de biocombustíveis a partir de microalgas.

Segundo ele, as microalgas são matéria-prima viável para suprir a demanda do planeta por combustíveis. "A grande necessidade de novas fontes está relacionada aos combustíveis, que são 83% do consumo mundial de energia - os outros 17% estão relacionados à eletricidade", apontou.

"As microalgas seriam uma solução interessante, uma vez que não disputariam espaço por terras agriculturáveis, além de contribuir para a captura de dióxido de carbono. Outra vantagem dessa matéria-prima é que ela representa uma alternativa aos combustíveis fósseis cujas reservas mundiais são limitadas", disse.

Segundo Hankamer, o desenvolvimento no setor permitiu a construção do primeiro avião movido a um combustível feito totalmente de algas, o bimotor Diamond DA-42, construído pela companhia europeia EADS, em junho deste ano.
Biologia sintética promete sistemas artificiais inspirados na 
natureza
O biomimetismo permite criar robôs com corpos flexíveis, que se movem como animais. [Imagem: Tufts]

O pesquisador australiano também apresentou tecnologias que estão permitindo avanços na produção de microalgas e de biocombustíveis. Técnicas de visualização em três dimensões, como a tomografia eletrônica, permitem, por exemplo, obter imagens em melhor resolução de células e aperfeiçoamentos em biologia estrutural.

Do mesmo modo, inovações em metabolômica têm aumentado o conhecimento dos metabólitos das microalgas, levando a melhorias na eficiência do processo fotossintético. "Ao incrementar o processo conseguimos dobrar a produção de biomassa", disse Hankamer.

Circuitos biológicos

Nitin Baliga, do Instituto de Biologia de Sistemas, nos Estados Unidos, comparou os sistemas biológicos naturais a circuitos eletrônicos.

Para ele, compreender como os diversos sistemas envolvidos funcionam e como interagem entre eles é a chave para avanços importantes. O mesmo vale para as reações do organismo ao ambiente. "No caso dos genes, ao conhecer a estrutura dos circuitos é possível prever um novo comportamento", exemplificou.

Biologia sintética promete sistemas artificiais inspirados na 
natureza
A reprodução de estruturas naturais, como as asas de uma borboleta, tem potencial para utilização em nanotecnologia e nanoeletrônica. [Imagem: Martin-Palma et al.]
As mudanças climáticas podem aumentar a exposição de áreas à luz e ao calor, o que implicará na alteração de parâmetros como a solubilidade e o fator de oxidação das microalgas. "Mesmo as pequenas mudanças provocam grandes alterações. Por isso, precisamos entender bem o funcionamento dos sistemas", disse.

Esse trabalho de compreensão tem sido auxiliado pelo desenvolvimento de novas ferramentas de análise que permitem identificar, por exemplo, as alterações gênicas, a localização de proteínas e a visualização de estruturas moleculares em diferentes ângulos.

Todas essas informações devem ser combinadas para que produzam uma ampla visualização do sistema por meio de uma abordagem que Baliga chama de "moedor de carne". Nela, os diferentes dados são colocados de um lado, processados e o resultado é um sistema único e compreensível: o circuito.

Setor sucroalcooleiro

Rubens Maciel Filho, professor de engenharia química da Unicamp, visitou nos últimos meses nove usinas de cana-de-açúcar para analisar os processos de produção e chegou à conclusão de que o setor deve ser encarado globalmente em seus aspectos técnicos e econômicos e ir além da perspectiva de produção de etanol.

"O setor sucroalcooleiro deve ser encarado como a indústria do petróleo: responsável por uma série de produtos com valor agregado e não somente combustível", disse o professor do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas.

De acordo com Maciel, da mesma maneira o desenvolvimento da segunda geração de etanol, oriundo da celulose, deve se basear no conhecimento adquirido sobre a primeira geração. Sem isso, há o risco de se investir em pesquisas que levem a produtos inviáveis ou a distorções.

"Podemos investir em enzimas que levem ao etanol de celulose e que, no entanto, sejam tão caras a ponto de ser mais lucrativo queimar essa biomassa para produzir eletricidade do que fabricar combustível. Ou, ainda, produzir microrganismos transgênicos que não conseguem sair da célula, obrigando a matar a célula para obtê-lo", disse.

Cientistas do Brasil e da Argentina conseguem imagens inéditas do Sol

Grupo de pesquisadores usou tecnologia de ponta para capturar imagens de explosões solares com a melhor qualidade de detalhes já registrada

Divulgação

EXPLOSÃO

Imagens foram captadas por observatório na Argentina, mas grande parte da análise de dados está sendo feita no Brasil
Um grupo de cientistas do Brasil e da Argentina anunciou nesta sexta-feira (5) imagens inéditas de explosões solares. As imagens foram obtidas no dia 20 de outubro, no observatório do Complexo Astronômico El Leoncito (Casleo), localizado em San Juan, na Argentina, e são as primeiras imagens do Sol feitas com com o telescópio e filtro H-Alfa, que mostra as regiões ativas da atmosfera solar com um grau de detalhamento sem precedentes.

A iniciativa faz parte de um convênio que envolve, há dez anos, cientistas do Casleo e do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (Craam), da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, no Brasil. A obtenção de imagens em H-Alfa faz parte de um projeto coordenado por Pierre Kaufmann, professor do Craam, e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

De acordo com Kaufmann, o objetivo é compreender a física por trás de fenômenos como manchas e explosões solares. “Conseguimos descrever bem processos como as explosões solares, mas a física que dá origem a eles ainda é um mistério”, disse o pesquisador “Se pudermos conhecê-la, isso permitirá fazer previsões sobre esses fenômenos, que têm grandes impactos no nosso planeta.”

Mudanças na atividade solar pode alterar o clima da Terra, além de causar interferências em satélites de GPS. Segundo o cientista, o Sol tem apresentado menos atividade do que o esperado. “O Sol tem ciclos de atividade de 11 anos e a previsão era de que o máximo da atividade solar deveria ocorrer em 2013. Já devíamos ter uma alta atividade, mas estamos bem longe disso. Estamos bastante perplexos com essa demora”, disse.

A resolução de imagens que poderá ser obtidas a partir de agora vai aumentar a precisão das análises sobre os processos físicos que ocorrem nas explosões solares. “Temos uma capacidade única para fazer diagnósticos inéditos de explosões solares com uma altíssima resolução temporal”, afirma Kaufmann. Enquanto o grupo argentino opera a instrumentação (o observatório do Casleo se situa em região desértica), a maior parte da interpretação dos dados é feita pelo Craam.

Fotógrafos registram mundo microscópico em concurso

Imagens de espécies científicas vistas através do microscópio integram o concurso de fotografia Olympus BioScapes Digital Imaging Competition.
Os dez vencedores do concurso deste ano, realizado pela oitava vez, recebem como prêmio equipamentos fotográficos e quantia em dinheiro para a foto vencedora. 
Igor Siwanowicz, que trabalha no Instituto Max Planck, em Munique, na Alemanha, foi o primeiro colocado com a foto dos olhos de um aracnídeo da espécie Phalangium opilio, que recebeu tratamento colorido.
A competição reuniu trabalhos do mundo inteiro, com a participação de 2.000 imagens. Os selecionados passam a fazer parte de uma mostra que vai percorrer museus e instituições acadêmicas.
O regulamento para quem pretende participar do concurso no ano que vem está disponível AQUI.

Foto vencedora:

Foto que mostra olhos de aracnídeo da espécie _Phalangium opilio_ 
vence concurso de fotografia; veja mais imagens
Foto que mostra olhos de aracnídeo da espécie Phalangium opili. 

Outras fotos:

Algas verdes filamentosas

 Almofada adesiva de pata de besouro

Detalhe de olho de libélula 

Estágio inicial de flor da espécie Tribulus sp
 Foto de coral solitário, do gênero Fungi .

 Foto de micro-organismo diatomácea (parte do plâncton marinho) sobre uma alga vermelha.

Foto do hipocampo (área do cérebro importante para a memória) de um rato.

 Imagem detalhada de um caruncho

Sementes de flores silvestres



As Baleias pedem socorro

Muitas baleias estão entre o 1/3 de toda a vida no planeta que está à beira da extinção. Governos estão se reunindo esta semana para considerar um plano ousado de proteger 20% dos oceanos e terra firme até 2020.

Nós só temos alguns dias e um chamado internacional poderá fazer a diferença. Clique para assinar a petição pelo plano 20/20 e divulgue este alerta:

Sign the petition! 

Hoje existem apenas 300 baleias francas do atlântico norte e 99% das baleias azuis já foram eliminadas. Estes majestosos gigantes estão ameaçadas de extinção e seu caso está sendo usado como exemplo repetidamente. Mas na realidade, um terço de todas as formas de vida no planeta estão à beira da extinção.

O mundo natural está sendo esmagado pela atividade humana, poluição e exploração. Mas existe um plano para salvá-lo - um acordo mundial para criar, financiar e implementar áreas protegidas cobrindo 20% das nossas terras e mares até 2020. Agora mesmo, 193 governos estão reunidos no Japão para enfrentar esta crise.

Nós só temos 3 dias até o fim desta reunião crucial. Especialistas dizem que os políticos estão hesitantes em adotar um objetivo tão ambicioso, mas que um clamor público mundial poderá fazer a diferença, mostrando aos governantes que os olhos do mundo estão sobre eles. Clique para assinar a petição urgente e encaminhe este email amplamente - a mensagem será entregue diretamente para a reunião no Japão - Link

Ironicamente 2010 é o Ano Internacional da Biodiversidade. Os nossos governos já deveriam estar caminhando para "uma redução significativa da taxa atual da perda da biodiversidade". Eles falharam repetidamente, cedendo para a indústria e trocando assim a proteção das espécies por lucros limitados. Nossos animais, plantas, oceanos, florestas, solos e rios estão sufocando sob fardos imensos de super-exploração e outras pressões.

Os seres humanos são a principal causa desta destruição. Mas podemos reverter a situação - já salvamos espécies da extinção antes. As causas do declínio da biodiversidade são vastas e salvá-la vai exigir uma guinada das promessas vagas, sem clareza de quem financia a proteção, para um plano ousado, com fiscalização rigorosa e financiamento sério. O plano de 20/20 é justamente isto: os governos serão forçados a executar programas rigorosos para garantir que 20% das nossas terras sejam protegidas até 2020, e para isso aumentar drasticamente o financiamento.

Tem que ser agora. Em todo o mundo o quadro está cada vez mais sombrio - há apenas 3.200 tigres na natureza, os peixes dos oceanos estão se esgotando e nós estamos perdendo fontes de alimentos ricos para a monocultura. A natureza é resistente, mas temos que prover espaços seguros para ela se recuperar. É por isso que esta reunião é fundamental - é um momento decisivo para acelerar ações baseadas em compromissos claros para proteger nossos recursos naturais.

Se os nossos governos sentirem a pressão esmagadora do público para serem corajosos nós podemos convencê-los a aderirem ao plano de 20/20 nesta reunião. Mas para isto vamos precisar que cada um de nós que está recebendo esta mensagem, faça-a ecoar até chegar na convenção no Japão. Assine esta petição urgente abaixo e depois encaminhe-a amplamente - Link

Este ano os membros da Avaaz tiveram um papel fundamental na proteção dos elefantes, defendendo a proibição da caça às baleias, e garantindo a maior Reserva Marinha do mundo nas Ilhas Chagos. Nossa comunidade tem mostrado que podemos definir objectivos ambiciosos - e vencer. Esta campanha é a próxima etapa na batalha essencial para criar o mundo que a maioria de nós em todos os lugares querem - onde os recursos naturais e das espécies são valorizados e o nosso planeta está protegido para as futuras gerações.

Com esperança,

Alice, Iain, Emma, Ricken, Paula, Benjamin, Mia, David, Graziela, Ben, eo resto da equipe da Avaaz 

Pólen jurássico pode explicar extinção dos dinossauros

De todos os espaços da feira de ciência Empírika, que acontece em Salamanca, Espanha, o estande dos dinossauros é certamente o mais lotado --e o preferido pelas crianças.
O espaço tem fósseis originais e réplicas de peças encontradas especialmente na região norte da Espanha, onde, de acordo com o historiador Luis Angel Izquierdo, está boa parte da riqueza fóssil desse país.
Izquierdo é do Museu dos Dinossauros, da Fundação para os Estudos de Dinossauros da região de Castela e Leão, responsável pelo estande na Empírika.

Historiador Luis Angel Izquierdo, do Museu dos Dinossauros, mostra fósseis durante feira de ciências Empírika, na Espanha
Historiador Luis Angel Izquierdo, do Museu dos Dinossauros, mostra fósseis durante feira de ciências Empírika, na Espanha
A Espanha é privilegiada em fósseis marinhos, como conchas de cerca de 500 milhões de anos. Nesse país também estão os icnofósseis (nesse caso, pegadas de dinossauros) mais nítidos já encontrados até hoje, em Costalomo, na região de Castela e Leão.
Lá, está registrado um longo caminho traçado por um dinossauro que atravessou um rio. Como o fundo era de lama, as pegadas ficaram marcadas depois que o rio secou, como um molde em argila.
 
FLORA JURÁSSICA
Os pesquisadores da região espanhola de Castela e Leão também estão focados em um projeto de paleobotânica coordenado pelo Museu dos Dinossauros, que visa estudar restos de plantas jurássicas, como folhas e troncos.
De acordo com Izquierdo, isso é importante para entender as condições climáticas e ambientais nas quais os dinossauros viveram --o que pode ajudar a entender por que eles foram extintos.
Recentemente, arqueólogos e paleontólogos espanhóis descobriram em Salas de los Infantes, um município na província de Burgos, pedras com pólen de até 135 milhões de anos.
Os estudos dos pólens encontrados (o que é chamado de paleopalinologia) revelaram grande diversidade de gminospermas, pteridófitas e briófitas (como musgos), o que pode sinalizar a prevalência de clima subtropical naquele período.
Já a quantidade de angiospermas descobertos pelos cientistas na região foi pequena, talvez porque essas plantas surgiram na Terra entre 140 e 130 milhões de anos. "Esses achados podem ser uma luz para entendermos a evolução das plantas", destaca Izquierdo. 

É possível viver sem estômago?

O estômago é o responsável pela digestão dos alimentos consumidos pelo ser humano. Ele, através de seus movimentos, mistura e transforma os alimentos em pequenas partículas que irão facilitar a digestão, com a ação do ácido clorídrico e das enzimas digestivas, como a pepsina. Porém, se alguém sofrer com neoplasia - formação de tumores que causam câncer de estômago -, por exemplo, poderá retirar o órgão e viver normalmente?
Sim, poderá, nos conta o Dr. Evandro Resque Júnior, gastroenterologista clínico. "A cirurgia para a retirada total do estômago se chama gastrectomia, que pode ser parcial ou total. E o paciente viverá, só que com alguns cuidados. A gastrectomia total é realizada principalmente nos casos de neoplasia maligna, e as parciais nos casos de neoplasias menores e de cirurgias bariátricas - redução do estômago -", explica o Dr. Resque.
Uma pessoa que tiver seu estômago retirado totalmente poderá, sim, viver normalmente. Foto: Getty Images Mesmo sem o estômago, a pessoa que o teve retirado continuará a digerir alimentos, mas com mais dificuldades e com mais responsabilidades e cuidados. O esôfago passa a ser ligado ao intestino, com a comida seguindo direto. "Sem a passagem pelo estômago, a digestão se processará no intestino delgado, mas sem a ação do ácido clorídrico, então os alimentos não chegarão em condições de serem bem absorvidos no jejuno e no íleo - partes do intestino delgado-", diz Resque. "Além disso, nutrientes importantes como a vitamina B não serão bem absorvidos pelo organismo", completa.
A necessidade de cuidados especiais passa a ser alta. "Os maiores cuidados serão com os nutrientes que deixarão de ser bem absorvidos", explica Resque. "Exames laboratoriais e dietas muito bem elaboradas por nutricionistas experientes são as medidas que ajudam a melhorar a qualidade de vida dos pacientes", nos conta o doutor. 

Ventosa Sensacional

A primeira vista, a ventosa de um polvo se assemelha a de uma flecha de brinquedo ou a que fixa um GPS no para brisa. Na verdade, porém, é um órgão notavelmente sofisticado, que pode não só prender objetos com diferentes intensidades, mas também manejá-los graças a grupos de músculos especializados.
A ventosa tem duas câmaras: o infundíbulo externo e o acetábulo interno. Quando ele adere a algo os músculos do infundíbulo modificam sua borda para moldá-la a superfície da concha, formando um lacre. Os músculos do acetábulo então se contraem, produzindo intensa pressão negativa no interior cheio de água da ventosa. O diferencial entre a pressão interna e a externa gera sucção.

Quanto mais intensa a contração dos músculos do acetábulo, maior a pressão negativa e maior o poder de aderência. Os chamados músculos extrínsecos permitem que a borda da ventosa gire o objeto num círculo completo, em ângulo raso ou agudo em relação ao braço, sem romper o lacre ou reduzir o diferencial da pressão.
Além de sua complexa musculatura, a ventosa do polvo tem elaborada rede neural. Os neurônios especializados concentrados na borda, chamados quimiorreceptores, permitem avaliar o gosto das superfícies tocadas. Juntamente com os mecanorreceptores, que transmitem informações sobre tato e pressão, e os proprioceptores (que informam sobre a atividade muscular), esses quimiorreceptores conectam-se a aglomerados de neurônios chamados gânglios, que, por receberem informações sensoriais e organizarem respostas coerentes, parecem funcionar como um "minicérebro" próprio da ventosa.
Como os gânglios conectam-se uns aos outros por meio de uma rede de gânglios maiores as ventosas vizinhas podem coordenar seus movimentos sem depender de continuas instruções do cérebro real. Ainda se desconhece como as funções neurais são partilhadas entre o cérebro, os braços e os gânglios das ventosas.


Fonte:             Scientific American Brasil
Edição de Novembro de 2010
Páginas: 66-67.

Dispersantes aumentam toxicidade do petróleo derramado


Produtos químicos usados para reduzir as manchas de petróleo resultantes do derramamento nas águas profundas do Golfo do México podem ter tornado o petróleo mais tóxico do que os relatórios oficiais sugerem, de acordo com um especialista canadense.

Peter Hodson, toxicologista aquático da Queen\\'s University em Kingston, Ontário, apresentou a sua tese em 9 de novembro à Society of Environmental Toxicology and Chemistry, em Portland, Oregon, em sessão que destacou os efeitos aleatórios de tratamentos com a fauna marinha.

Os produtos químicos, conhecidos como dispersantes, são usados para reduzir a tensão superficial do petróleo derramado, permitindo que o vento e as ondas quebrem-no em gotículas microscópicas. Essas gotículas são dispersadas pela água do mar em vez de formar manchas de petróleo flutuantes, que podem atingir a costa. Também são mais facilmente atacadas por bactérias que se alimentam de petróleo.

Mas até ser degradado por bactérias, o petróleo se mistura na água em vez de flutuar. Isso significa que seus componentes tóxicos, principalmente os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs), podem ter um efeito maior sobre a fauna marinha.

As declarações oficiais da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) relataram que a mistura de dispersante de petróleo resultante do derramamento de Horizon não é mais tóxico do que o próprio petróleo. Apesar de ser tecnicamente verdadeira, essa afirmação é enganosa, ressalva Hodson, que vem estudando o efeito da dispersão de petróleo em embriões de peixes.

Hodson acrescenta que, embora a dispersão permita que o petróleo seja afastado de forma mais rápida, ele ainda pode demorar até um mês para que os micróbios tenham um impacto mensurável sobre a quantidade de petróleo presente.

A Reinvenção da Folha Vegetal I

Combustível definitivo pode não derivar de milho ou algas, mas diretamente do Sol.

COMO UM PREGADOR QUE ANUNCIA UM INFERNO DE “fogo e enxofre”, Nathan S. Lewis vem proferindo um discurso sobre a crise energética que é, ao mesmo tempo, aterrador e estimulante. Para evitar um aquecimento global potencialmente debilitante, o químico do California Institute of Technology (Caltech) afirma que a civilização deve ser capaz de gerar mais de 10 trilhões de watts de energia limpa e livre de carbono até 2050. Isso corresponde a três vezes a demanda média americana de 3,2 trilhões de watts. O represamento de todos os lagos, rios e riachos do planeta, avalia ele, só forneceria 5 trilhões de watts de energia hidrelétrica. A energia nuclear poderia dar conta do recado, mas o mundo precisaria construir um novo reator a cada dois dias nos próximos 50 anos.

Antes que seus ouvintes fiquem excessivamente deprimidos, Lewis anuncia uma fonte de salvação: o Sol lança mais energia sobre a Terra por hora do que a energia que a humanidade consome em um ano. Mas ressalta que, para se salvar, a humanidade carece de uma descoberta radical em tecnologia de combustível solar: folhas artificiais que captem seus raios e produzam combustível químico em massa no local, de modo muito semelhante ao das plantas. Esse combustível pode ser queimado como petróleo ou gás natural para abastecer carros e gerar calor ou energia elétrica, e também armazenado e utilizado quando o Sol se põe.

O laboratório de Lewis é um de vários que produzem protótipos de folhas, não muito maiores que chips de computadores, para produzir combustível de hidrogênio a partir de água, em vez da glicose gerada por folhas naturais. Ao contrário dos combustíveis fósseis, a queima do hidrogênio é limpa. Outros pesquisadores trabalham em ideias competitivas para captar a energia do Sol, como algas geneticamente alteradas que liberam biocombustíveis, ou novos organismos biológicos desenvolvidos por bioengenharia para produzir petróleo. Todas essas abordagens destinam-se a transformar luz solar em energia química armazenável, transportável e facilmente consumida. Lewis, no entanto, argumenta que a opção de folhas produzidas pelo homem é a solução mais viável para atingir os níveis de produção industrial necessários para abastecer a civilização.

Embora alguns protótipos laboratoriais tenham produzido pequenas quantidades de combustível solar direto – ou eletrocombustível, como as substâncias químicas são ocasionalmente chamadas –, a tecnologia ainda necessita ser aprimorada para ser manufaturada em grande escala e a preços baixos. Para abastecer os Estados Unidos de energia, Lewis calcula que, em vez de dispositivos específicos, parecidos com chips, o país precisaria produzir películas de combustível solar finas e flexíveis, que saíssem de linhas de produção de alta velocidade, como jornais. Essas lâminas, ou membranas, deveriam ser tão baratas como carpetes sob medida e, por fim, cobrir uma área de aproximadamente 53 mil km², equivalente à superfície da Paraíba, no Brasil.

A Reinvenção da Folha Vegetal II

Longe de ser um sonho fantástico, essa tecnologia vem progredindo espasmodicamente desde as pressões do ex-presidente Jimmy Carter por fontes de energia alternativas durante a crise do petróleo, na década de 70. Agora, diante da ameaça de um novo período energético e climático crítico, o combustível solar subitamente se tornou alvo de atenção. Stenbjörn Styring, da Universidade de Uppsala, na Suécia, que pesquisa o desenvolvimento de sistemas artificiais que imitam a fotossíntese, assegura que o número de consórcios dedicados a esse desafio passou de apenas dois, em 2001, para 29 atualmente. “São tantos que talvez não estejamos contando corretamente”, duvida.

Em julho, o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE, na sigla em inglês) liberou US$ 122 milhões, para um período de cinco anos, a uma equipe de cientistas de vários laboratórios, liderada por Lewis, para desenvolver tecnologia de combustível solar, uma das três novas prioridades de pesquisa energética desse órgão. Combustíveis solares “resolveriam os dois maiores problemas americanos: segurança energética e emissões de carbono”, avalia Steven E. Koonin, subsecretário de ciência do DOE. Ele acredita que as estratégias Sol-combustível enfrentarão obstáculos “formidáveis”, mas admite que a tecnologia merece investimentos, porque “a recompensa é suficientemente grande”.

Na fotossíntese, as folhas verdes utilizam energia solar para organizar as ligações químicas de água e dióxido de carbono, e produzir e armazenar combustível em forma de açúcares. “Queremos criar algo que seja o mais parecido possível a uma folha”, relata Lewis, referindo- se a dispositivos com funcionamento igualmente simples, mas que produzam uma substância química diferente. A folha artificial que Lewis está projetando exige dois elementos principais: um coletor para converter energia solar (fótons) em energia elétrica (elétrons) e um eletrolisador que utiliza a energia de elétrons para dissociar a água em moléculas de oxigênio e hidrogênio. Um catalisador – substância química ou metal – é acrescentado para ajudar a divisão molecular. Células fotovoltaicas, que já criam energia elétrica a partir da luz solar e de eletrolisadores, são utilizadas em vários processos comerciais; portanto, o truque, aqui, é unir os dois em películas solares baratas e eficientes.

Protótipos volumosos foram desenvolvidos para demonstrar como essa união funcionaria. Engenheiros da montadora de carros japonesa Honda, por exemplo, construíram uma caixa mais alta que uma geladeira, coberta de células fotovoltaicas. Em seu interior, um eletrolisador utiliza a eletricidade solar para dissociar moléculas de água. A caixa então libera o oxigênio resultante no ar ambiente e comprime e armazena o hidrogênio restante, que a Honda gostaria de usar para recarregar carros equipados com células de combustível.

A Reinvenção da Folha Vegetal III

Em princípio, esse mecanismo ajudaria a solucionar o aquecimento global, já que apenas luz solar e água são necessárias para gerar energia; o subproduto é o oxigênio, e a descarga resultante posteriormente da queima de hidrogênio em uma célula de combustível é a água. O problema é que células solares comerciais contêm dispendiosos cristais de silício. E os eletrolisadores estão cheios de platina, o metal nobre que até hoje é o melhor material para catalisar a reação de decomposição da água, mas uma onça troy (31,10... gramas) desse material custa cerca de US$ 1,5 mil (perto de R$ 2,7 mil).

Isso significa que a estação de hidrogênio solar da Honda jamais inundará o mundo de energia. Lewis calcula que, para atender à demanda global, futuros dispositivos de combustível solar teriam de custar menos de US$ 1 por 0,09 m2 de superfície coletora de luz solar, além de terem capacidade de converter 10% da energia dessa luz em combustível químico. Para isso, será necessária uma tecnologia fundamentalmente nova, aplicável em grande escala, como películas ou “carpetes” produzidos com materiais baratos. Ou, como diz Harry A. Atwater, Jr., colega de Lewis no Caltech, “precisamos pensar em batatas-chips, não chips de silício”.


EM BUSCA DE UM CATALISADOR

A PROCURA POR UMA TECNOLOGIA como essa ainda é incipiente, apesar de várias décadas de trabalhos intermitentes. Daniel G. Nocera, do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e um colega descobriram em 2008 uma combinação barata de fosfato e cobalto, capaz de catalisar a produção de oxigênio – etapa necessária da reação para decompor a água. Embora o dispositivo do protótipo fosse apenas parte do quebra-cabeça – os pesquisadores não encontraram um catalisador melhor para liberar hidrogênio, o combustível de fato – o MIT o apregoou como um “importante salto” rumo à “fotossíntese artificial”. Nocera chegou a prever que, em breve, os americanos estariam produzindo hidrogênio para os seus carros utilizando equipamentos de fundo de quintal e a preços razoáveis. Essas alegações ousadas não foram bem recebidas por alguns peritos em energia solar. Eles insistem em que as pesquisas ainda têm décadas pela frente. Outros são mais teimosos: o Departamento de Energia e a empresa de capital de risco Polaris Venture Partners apoiam o atual trabalho de Nocera na Sun Catalytix, uma empresa que ele criou em Cambridge, Massachusetts.

No Caltech, enquanto isso, Lewis vem trabalhando em um meio de coletar e converter os fótons solares – primeiro passo em qualquer dispositivo de combustível solar – muito mais barato que células solares convencionais de silício cristalino. Ele projetou e produziu um coletor de nanofios de silício embutidos em uma película de plástico transparente que, quando expandido, pode ser “enrolado e desenrolado como um cobertor” [ver box na página ao lado]. Seus nanofios podem converter luz em energia elétrica com efi ciência de 7%. Isso literalmente empalidece diante de uma comparação com células solares comerciais, que chegam a uma eficiência de até 20%. Mas se o material pudesse ser produzido em escala suficientemente barata – aquelas lâminas que saem rolando de uma prensa como jornais – uma eficiência mais baixa poderia ser aceitável.

A Reinvenção da Folha Vegetal IV

Também se debate se o hidrogênio é a melhor opção para produzir combustível solar. Equipes que trabalham com organismos biológicos capazes de produzir biocombustíveis líquidos argumentam que são mais fáceis de armazenar e transportar que hidrogênio. Mas o gás hidrogênio também é flexível: pode ser usado em carros com células de combustíveis, queimado em usinas elétricas para gerar eletricidade, e até servir como matéria-prima na produção de diesel sintético. Mesmo assim, “a solução é produzir um combustível químico energeticamente denso”, com emissões mínimas de carbono, enfatiza Lewis. “Não vamos nos prender (obcecadamente) em nenhum deles em particular.”

Folhas reais provam que a luz solar pode ser convertida em combustível usando apenas elementos comuns. A humanidade é capaz de imitar esse processo para resgatar o planeta do aquecimento global? O prognóstico não é claro. “O fato de não conseguirmos resolver o problema com componentes prontos, à nossa disposição nas prateleiras de lojas, é a razão por que esse é um período tão empolgante para trabalhar nessa área”, considera Lewis. Mas ele está preocupado porque a sociedade ainda não compreendeu as dimensões do problema energético, nem porque soluções revolucionárias são tão necessárias. É por isso que ele passa tanto tempo no circuito de palestras, pregando a salvação solar. “Ainda não estamos tratando esse problema como algo em que podemos nos dar ao luxo de falhar”, considera ele.

Tigre Dourado e Besouro Cromado

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A porcentagem para ocorrer um desses na natureza, é de um em um milhão. O raro tigre dourado (Golden Tabby Tiger)  tem a pelagem cor de ouro, listras alaranjadas e um pêlo muito mais macio que o normal. Há poucos tigres dourados no mundo,  cerca de 30 no total, e todos encontram-se em cativeiro. Alguns  registros indicam que, na Índia, existiam tigres dourados selvagens no começo de 1900.

Hipopótamo Resgata Filhotes de Gnu e Zebra Em Rio

Turistas em um safári na África ficaram boquiabertos ao testemunhar um hipopótamo resgatando outros animais durante a travessia de um rio infestado de crocodilos.
Os visitantes tinham ido ver a migração de um grupo com milhares de gnus, que viaja entre o Quênia e a Tanzânia em busca de novos pastos.
Durante a dramática travessia do rio Mara, uma mãe gnu foi separada de seu filho, que foi levado pela correnteza. Um hipopótamo fêmea que observava tudo perto dali foi em direção ao bebê gnu e o empurrou gentilmente até à margem.
Depois de observar travessia de rio cheio de crocodilos, hipopótamo resgata filhote de zebra
Apenas dez minutos depois, o mesmo hipopótamo viu uma pequena zebra lutando para cruzar o rio e, novamente, a ajudou a atravessar a forte torrente.

EPISÓDIO RARO

Os hipopótamos não são geralmente descritos como agressivos, a não ser quando acham que seu território está sob ameaça.
"Esta situação em particular é muito rara, mas essa parte do rio Mara é conhecida pela ocorrência de episódios incomuns, já que é ali que os gnus cruzam o rio cheio de crocodilos", disse David Spooner.
"No início, nosso guia Abdul Karim e os hóspedes acharam que o hipopótamo iRIA atacar, mas aí eles perceberam que eram os instintos maternos surgindo no hipopótamo fêmea quando ele viu o bebê gnu e o perigo representado pelos crocodilos", conta Spooner.
"O amor maternal é tão forte que pode até ultrapassar a barreira da espécie", disse o guia Abdul Karim.
Guias também registraram o episódio e descreveram os resgates realizados pelo hipopótamo como "milagrosos" em websites.



Fonte: Folha Uol

Livro revela mecanismo de defesa de mariposas contra predadores.

Os "truques" das mariposas para evitar os predadores.Butterflies - Messages from Psyche (em tradução livre, Borboletas – Mensagens da Psique, Ed. Papadaki, Londres) , explora a capacidade desses insetos de confundir a percepção visual dos inimigos para enganá-los.
Segundo o autor do livro, Philip Howse, professor de entomologia aposentado da Universidade de Southampton, a necessidade de proteção levou esses animais a desenvolver padrões e cores ao longo de séculos de evolução.
Segundo o pesquisador, os predadores insetívoros reconhecem as suas presas pelos detalhes, e não pelo todo. "Se olharmos para os detalhes de uma borboleta viva da mesma forma que um pássaro vê, a partir de um ângulo e uma perspectiva diferente, imagens surpreendentes são reveladas", ele afirma.
Em muitos casos, as características lembram os olhos de corujas, cabeças de serpente, lagartas, vespas, escorpiões e bicos de pássaros. Em outros exemplos, ele diz, as borboletas e mariposas exibem combinações de imagens que não estão longe de trabalhos de arte surrealista.
As mensagens desta simbologia são tão fortes que às vezes ultrapassam a vida selvagem e são lidas na mente humana com a mesma força. O resultado – confundir e assustar – é o mesmo.











Fonte: UOL Notícias